Por Diego Borges, da Redação

30/08/2019 00h29 Atualizado 2019-08-30T03:29:29.776Z


Control é o novo game da Remedy Entertainment para Xbox One, PS4 e PC (via Epic Store). A produtora de clássicos como Max Payne e Alan Wake aposta em um enredo bem complexo e uma jogabilidade que mescla tiroteio em terceira pessoa com habilidades sobrenaturais. Confira o review completo do game:

Um mar de complexidade

Para os desavisados, Control é um game desenvolvido pela Remedy Entertainment, que é responsável por jogos como Alan Wake e Quantum Break. Ambos os títulos ficaram popularmente conhecidos por serem games cujo enredo trazia uma boa dose de complexidade, onde nem todos entendiam tudo perfeitamente, mesmo após o término da história. Control bebe muito dessa água que, por sinal, vem sendo "batizada" cada vez mais. Com isso, temos um título cujo enredo é complexo desde a sua sinopse até a conclusão.

A história gira em torno de Jesse Faden que, após uma agência secreta do governo (Escritório Federal de Controle) ter sido invadida por uma força sobrenatural chamada Ruído (!), assume o cargo de diretora (!!), após um ritual paranormal (!!!), e precisa combater e expulsar o mal do local.

Se não bastasse, Jesse é assombrada pelo antigo diretor da residência, que também é conhecida como Casa Mais Antiga, e precisa encontrar pistas sobre o desaparecimento do seu irmão, que sumiu 17 anos atrás. Tudo isso em um enredo que começa praticamente com a protagonista entrando na sede da agência, sem nem uma introdução mais abrangente, e descobrindo tudo ao longo do jogo.

Confesso que já vi enredos tão confusos como esse em outros jogos, mas o grande problema de Control é a forma com que tudo se desenrola. Para começar, há uma junção de elementos de filme (com atores reais) e animações gráficas que até deslumbra pelo visual, mas confunde ainda mais o que está sendo explicado no exato momento.

Para completar, o enredo não se desenrola de uma forma suave. A qualquer momento surgem diálogos atravessados ou pistas de um outro assunto que chegam a quebrar a linha de raciocínio. Se o jogador não se dedicar a mergulhar no game, há um risco enorme da história se tornar algo paralelo, fazendo com que sua atenção seja voltada apenas ao gameplay.

Eu reconheço o trabalho e esforço da Remedy ao tentar criar algo único e diferente do que é apresentado nos jogos de hoje em dia. Mas faltou organizar melhor as ideias e apresentá-los de uma forma não tão complexa e distribuída em doses homeopáticas.

A pistoleira sobrenatural

A jogabilidade de Control me deixou bem dividido. Gostei demais do sistema de munição que ao invés de exigir ao jogador procurar balas e pentes por todo o cenário, traz uma recarga "automática". Depois de uma quantidade de disparos, é preciso esperar até que os projéteis sejam carregados automaticamente, de uma forma parecida com a barra de energia é preenchida em boa parte dos FPS atuais.

Isso faz com que seja criada uma espécie de estratégia durante os combates. Isso porque Jesse não conta apenas com armas, mas também habilidades sobrenaturais que fazem com que o combate seja mais diversificado, cabendo ao jogador escolher o momento exato de usar uma delas ou optar pelos disparos tradicionais.

Durante boa parte do jogo eu cheguei a criar uma espécie de combo, onde eu arremessava um item com a telecinese, atirava me aproximando do alvo e por fim aplicava uma espécie de golpe onde um força é impulsionada contra o inimigo. Tirando criaturas que voam, "bo

... sses" ou oponentes com uma armadura mais resistentes, a sequência era fatal.

Entretanto, a execução dessas habilidades não é a das melhores, principalmente a Telecinese. Em muitos momentos não consegui arremessar itens em direção ao meu alvo, simplesmente por travarem em pedaços do cenário. Além disso, o jogo não traz um sistema de proteção, mesmo com combates onde boa parte das vezes seus inimigos usam armas de fogo. O jeito é posicionar Jesse atrás de uma parede ou usar sua habilidade de criar um escudo contra os golpes deferidos - que por sua vez também tem suas falhas.

Ainda sobre as habilidades, Control traz uma árvore de evolução bem simplificada. Ela faz com que você opte por evoluir algumas das suas perícias, ou gaste pontos de experiência ampliando sua barra de energia, vigor, etc. Achei interessante a descomplicação, afinal, é difícil encontrar um jogo hoje em dia que não siga a cartilha de ramificações complexas de evolução.

Oscar de melhor reprodução digital

Control é um game que não se vende como um dos mais belos de sua geração. Em contrapartida, traz uma mescla de atores reais com animações gráficas que agrada bastante, principalmente para mostrar o quando o trabalho de reprodução no game foi bem executado.

Courtney Hope é a atriz que dá vida a personagem Jesse Faden. É impressionante o quanto a protagonista ficou realista ao ponto de me arriscar a dizer que é uma das melhores reproduções feitas em um game. Porém, o mesmo não se pode dizer com outros personagens, principalmente em relação a suas expressões faciais.

Ainda sobre a parte visual, há um questionamento a ser levantado sobre a ambientação do game. Control traz uma proposta de um cenário limitado, nos moldes de jogos como os primeiros títulos de Resident Evil, onde é preciso se guiar por um mapa para acessar cômodos e outras localidades. Isso faz com que muitas dessas passagens e ambientes sejam bem parecidos, o que causa uma certa confusão para se localizar em alguns momentos.

Entretanto, parando para analisar friamente, por mais que incomode e possa até ser uma estratégia para dar "menos trabalho" ao desenvolvimento, no quesito realismo faz muito sentido. Afinal, dificilmente você encontra uma empresa e seus escritórios padronizados que se diferenciam tanto uns dos outros. Por isso, prefiro ficar em cima do muro e não criticar esse elemento.

A versão de teste para esse review rodou em um PC com as seguintes configurações:

  • Placa de Vídeo: GeForce RTX 2080
  • Processador Intel i7 8700
  • Memória RAM: 16GB DDR4 XPG

O jogo rodou a 60 quadros por segundos sem qualquer problema de queda de frames, mesmo em momentos com muitos elementos no cenário. E acreditem, há certas partes onde há pedaços do chão voando, inimigos por todos os lados, elementos do cenários sendo destruídos, tudo isso ao mesmo tempo. E mesmo assim o jogo apresentou uma performance incrível, sem deixar a desejar. Porém, há muitos relatos na internet de que a versão para consoles traz momentos com muitas quedas de frames, o que não ocorreu na de PC.



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