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Se música boa é poesia para os ouvidos, no Spotify uma playlist irresistível é também um pouco de matemática e do toque de um especialista local. É o que revela Rocío Guerrero, líder para curadoria de conteúdo da plataforma de streaming, ao TechTudo. Com 140 milhões de usuários mensais, o player conta com um time editorial que envolve cerca de 50 pessoas no mundo todo para criar playlists, anunciar shows e editar as páginas de conteúdo que você vê ao acessar o aplicativo no celular e no computador ou, ainda, quando usa o web player.

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Rocío conta que a maioria do conteúdo é gerida por humanos. Áreas como lançamentos, descobertas e destaques da semana ficam nas mãos de especialistas locais que não só conhecem o público como também acompanham o sucesso dos artistas em diferentes territórios. "Somente as pessoas podem fazer esse trabalho de sugerir conteúdo. O machine learning [aprendizado de máquina] trabalha analisando o comportamento das pessoas ao ouvir música", explica.

De acordo com a executiva, o trabalho de criar playlists e sugerir músicas no melhor momento para serem consumidas — diferente do rádio, que respeita uma sequência temática, por exemplo — é fruto da colaboração entre o homem e a máquina. Via software, o Spotify analisa as músicas que são mais ouvidas, quando são e por quem são ouvidas. Com essas informações em mãos, curadores usam do seu próprio conhecimento em música para fazerem as melhores combinações.

"Você precisa combinar esses dois mundos", defende.

Sendo assim, aquelas playlists que parecem ter sido feitas para você, são quase isso. As sequências não chegam a ser tão particulares, mas tendem a tocar o coração ou agradar bastante públicos específicos segmentados pelo sistema.

"No Brasil temos apenas uma pessoa para fazer isso", completa Rocío.

Quem cria playlists no Spotify Brasil?

Quem "comanda as pick-ups" no Brasil, e também em Portugal, é o brasileiro Bruno Telloli — com passagens por MySpace, Apple e Vevo e muita bagagem musical. Ainda assim, segundo Telloli, a tecnologia que aponta tendências ajuda na curadoria para sugestões de música em terras lusitanas, por exemplo. A pesquisa de dia a dia, dentro e fora do Spotify, porém, deixa o trabalho no Brasil melhor.

"Eu estou aqui, sei o que está acontecendo no mercado. Quais os artistas estão despontando, os shows que vão acontecer nas principais cidades ...", detalha.

Como são escolhidas as músicas de playlists?

Para começar, existem o que chamam de níveis de playlists. Esses "levels", como Rocío chama, lista artistas e bandas de "menores" para "maiores", em volume de fãs e alcance na plataforma. "Temos playlists focadas em artistas menores. Começamos a trabalhar esses novos nomes da música nessas playlists de tendências. Se colocamos [um artista novo] numa playlist grande, causa uma rejeição porque ninguém conhece o artista ainda", explica melhor Tellolli.

O mesmo raciocínio se aplica em músicas locais. Cada editor, de cada país, aponta os sons que estão despontando na sua região para espalhar pelo mundo todo. "Ninguém estoura em uma playlist enorme 'do nada'. Dividimos a audiência em pequenos grupos para encontrar o melhor para essas personas. Temos que analisar a sociedade, a forma como pensam, como vivem e etc.", completa.

Ainda de acordo com Rocío, as pessoas ouvem mais playlists do que procuram por artistas no Spotify. É um comportamento comum de toda América Latina. Sendo assim, muitos artistas sugerem músicas pensando em entrar em listas do serviço de streaming como versões acústicas dos seus sucessos ou mesmo temáticas.

Bruno Telloli e Rocío Guerrero, do Spotify (Foto: Divulgação/Spotify)Bruno Telloli e Rocío Guerrero, do Spotify (Foto: Divulgação/Spotify)

Bruno Telloli e Rocío Guerrero, do Spotify (Foto: Divulgação/Spotify)

Como é o relaciomento com os artistas?

Tellolli conta que o relacionamento com artistas vai acontecendo com o tempo. Promover uma faixa é uma via de mão dupla. "O conteúdo é do arista e ele também tem que estar interessado em promover a música dele", conta.

Um formulário ajuda músicos e empresários a sugerirem novas músicas para os editores, que trabalham também com parceiros e gravadoras. O assédio via outras plataformas, porém, é grande. "O formulário foi criado por conta disso, são muitas as mensagens de artistas nas nossas redes sociais pessoais", revela Telloli. "Nós não prometemos que vai entrar na playlist, mas prometemos ouvir. É como as rádios faziam, 'mande a sua demo'. A oportunidade é grande para todos", afirma.

Ainda segundo Telloli, para entrar numa playlist a música já precisa estar cadastrada no Spotify. Não é necessário, porém, estar em uma gravadora grande para estar no serviço de streaming. Há empresas distribuidoras que fecham contratos e cuidam dos artistas que oferecem suas músicas no player.

Um player que não tem zero

A líder de curadoria do Spotify conta que, dificilmente, uma banda ou artista fica com zero plays por muito tempo. "Se uma música sobe às 20h, às 20h01 já tem um play, a plataforma é muito ágil em distribuir", explica. Um dos desafios para o futuro, porém, é engajar todos esses ouvintes. Via rede sociais, usuários pedem novas músicas, correções de bugs e recursos inéditos. A relação com os artistas, entretanto, ainda é uma meta a ser alcançada e carece de ferramentas específicas.

"No momento não temos uma plataforma nativa para oferecer esse tipo de interação [uma rede social, com conexão entre fãs e artistas] mas criamos novas funções todos os dias. No Spotify Fórum (community.spotify.com) os usuários fazem vários pedidos e muitos são implementados na plataforma", conta.

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