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Na década de 70, o que existia de mais moderno em videogames no mundo era o Atari 2600. E era bem difícil conseguir um deles aqui no Brasil. Nessa época, o jovem Luís Carlos Petry, com apenas 20 anos e já formado em um curso de análise de sistemas oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conseguiu comprar a preciosidade de um amigo que voltava dos EUA. Foi assim que ele mergulhou no conhecimento dos jogos eletrônicos e de lá não saiu mais.

Passados mais de 40 anos, Petry é hoje um dos grandes especialistas em games no Brasil. Em 2007, criou o Curso Superior de Tecnologia em Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde também foi coordenador. Petry é doutor em Comunicação e Semiótica, com tese sobre modelagem tridimensional para ambientes virtuais, metaversos e games pela PUC-SP, onde hoje trabalha como pesquisador e orientador.

Atari 2600 (Foto: Reprodução)Atari 2600 (Foto: Reprodução)

Atari 2600 (Foto: Reprodução)

Um mundo tridimensional

As animações em 3D e os jogos digitais ligados à pesquisa científica são as preferidas do professor e pesquisador. Quando conheceu as experiências francesas e americanas em 3D ficou fascinado. Em 1987 ganhou um PC com os softwares Word e 3D Studio. Foi quando começou a estudar modelagem tridimensional e passou a se interessar pela topologia (uma extensão da geometria). Nesse período, virou pesquisador da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) realizando produções em 3D e criando alguns games incipientes.

Mais tarde, com uma equipe de profissionais de saúde e da Universidade Mackenzie de São Paulo, participou de um trabalho sobre genética e síndromes ligadas ao autismo. Ele desenvolveu animações em 3D para demonstrar as sequências de DNA e facilitar o estudo. Foi uma evolução para a pesquisa.


Floresta Topológica

Atualmente, o professor se dedica à pesquisa e criação de games ligados à topologia. Em um de seus estudos cria objetos animados usados para explicar como funciona a mente humana. Petry também está desenvolvendo um game chamado Floresta Topológica, quando os usuários podem interagir com objetos que mostram o pensamento de filósofos e psicanalistas, de Heidegger a Lacan.

O professor destaca a importância dos games na educação, quando os alunos conseguem sair da teoria para a experiência lúdica. “Games são jogos de entretenimento ou de produção de autodescoberta e questionamento. Os games têm um potencial socializador e um papel importante na prevenção às drogas. Também se aprende muito sobre ética, no caso dos bons games, porque você se confronta com questionamentos, tem que tomar decisões sobre caminhos a seguir”, diz Petry.

"Mantenha a mente aberta"

Para os jovens que querem se dedicar aos games, Petry tem algumas recomendações e a primeira delas é: “mantenha a mente aberta, seja curioso esteja disposto a ouvir o que os outros têm a dizer até conseguir entendê-los”. Os jovens alunos de jogos digitais, em especial no Brasil, diz Petry, são ansiosos e querem, logo de cara, produzir um game. Querem também respostas rápidas, “receita de bolo”. “O software é extremamente importante, mas é necessário ter uma visão ampla das coisas”, diz o professor. Para isso, recomenda com entusiasmo a leitura de bons livros. “Se eu digo que Shakespeare pode ajudar a criar um jogo, acham estranho. Eu sempre cito o Limbo (jogo que se tornou sucesso de venda desde que foi lançado, em 2010), em que a estrutura está baseada na Divina Comédia, de Dante Alighieri”, afirma Petry.

Para os que tiverem oportunidade, uma temporada de estudos fora do país após a graduação pode ser uma grande jornada na busca por respostas. Há opções bastante em conta, inclusive com disponibilidade de bolsa de estudos e intercâmbio para hospedagem. "Quando o aluno sai da graduação e fica por alguns meses fora, volta mais maduro, com uma visão amplificada e começa a valorizar coisas que antes não considerava importantes”, diz o professor.

Foi o que aconteceu com o designer Felipe Blanco, que iniciou o mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, sob orientação de Petry, e um ano depois precisou sair do Brasil por motivos pessoais. "Ele me incentivou muito a aproveitar da melhor maneira possível a temporada no exterior. Tive que interromper os estudos do mestrado mas, durante o tempo em que estive fora, nós dois nos falávamos uma ou duas vezes por semana, fazíamos a orientação por Skype”, conta Felipe.

De volta ao Brasil, Felipe concluiu o mestrado com dissertação sobre arte de conceito no processo de design de jogos digitais. O designer destaca o fato de que, embora os games tenham nascido com o propósito do oferecer diversão, se expandiram para vários campos, como a pesquisa científica e o ensino em diferentes áreas. “Quando você tem um ambiente com imagens e coloca o usuário em contato com esse ambiente, cria um enorme potencial de interatividade que vai muito além do entretenimento”, diz.

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