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Por Raquel Freire, para o TechTudo


Nos Estados Unidos, o FBI obrigou um suspeito a desbloquear o próprio iPhone X usando o Face ID. O caso aconteceu no último dia 10 de agosto, em revista à casa de Grant Michalski, acusado de receber e armazenar pornografia infantil. Este é o primeiro registro de uso da tecnologia de reconhecimento facial da Apple por forças policiais em todo o mundo.

O episódio, revelado pela Forbes, marca mais uma etapa na complicada relação entre empresas de tecnologia e agentes da lei. Nos últimos anos, aumentaram os relatos de uso de máquinas para descobrir senha do iPhone por delegacias e órgãos de segurança americanos. O método também foi utilizado durante a investigação de Michalski, segundo a revista.

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Ao desbloquear o celular de Michalski com a biometria do iPhone, o agente do FBI encontrou vários indícios da atividade criminosa. Entre as informações estavam conversas sobre abuso de menores no app Kik Messenger e um anúncio postado pelo réu no Craigslist, em que ele discutia sobre incesto e sexo com menores.

O desbloqueio facial, no entanto, não foi completamente eficiente para que a polícia tivesse acesso a todo o sistema. Além de os agentes não terem acesso à senha do smartphone, um novo recurso de segurança chamado de Modo Restrito USB, implementado no iOS 12, impede a transferência de dados para o computador se o iPhone tiver sido desbloqueado há mais de uma hora.

A medida da Apple, feita justamente para evitar invasão de policiais e criminosos ao smartphone, fez com que o processo manual se tornasse inviável para obter provas. Para burlar a ferramenta, o FBI resolveu adotar o equipamento para descobrir a senha do iPhone, segundo documentos judiciais. Não se sabe exatamente qual foi a máquina utilizada. Atualmente, as mais populares são a Cellebrite e a GrayShift.

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Tentativas policiais de desbloqueio do iPhone vêm de longa data

A Apple e a Justiça americana travam uma longa batalha em torno da segurança e acesso aos dados de iPhones envolvidos em investigações. Em 2016, a fabricante se recusou a atender o pedido da corte americana para prestar auxílio técnico no desbloqueio de um iPhone 5C. O celular pertencia a um dos atiradores do atentado de San Bernardino, ocorrido no final de 2015.

Dispositivos como o GrayShift e Cellebrite também estão em alta entre os departamentos policiais locais, como mostrou a Motherboard no ínicio do ano. A máquina, que se conecta ao celular pela porta Lightning, utiliza o método de invasão conhecido como força bruta para enganar a criptografia do iOS. Nele, são feitas milhares de tentativas de descoberta do código de acesso em pouco tempo. Pelo menos antes da inclusão do Modo Restrito USB, a tática levava duas horas para desvendar a senha e permitir a transferência de todos os dados para um computador.

Mas a própria biometria também já é usada há muito tempo pelos agentes do governo americano. Em 2016, policiais da Califórnia entraram em uma casa e obrigaram a todas as pessoas a desbloquearem seus celulares com impressão digital. Há registros da polícia usando até o dedo de pessoas mortas para passar a biometria e acessar seus celulares.

Via Forbes (1 e 2) e Apple

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