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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Super-angulares, teleobjetivas e monocromáticas são alguns dos tipos de lentes que as fabricantes estão usando em seus novos smartphones com duas, três ou até mais câmeras. Cada uma dessas lentes traz diferentes formas de perceber e capturar as cenas, algo que se traduz em diferentes pontos fortes e fracos entre cada celular do mercado.

A seguir, você vai entender melhor o que significa cada um desses tipos de lentes e como elas trabalham em conjunto para que seu telefone passe a ser capaz de rivalizar com câmeras profissionais na hora de fotografar.

Lente angular ou grande angular

A proposta de uma lente angular (ou grande angular) é oferecer um campo de visão mais amplo do que o que você perceberia com os seus olhos. Também é chamada de wide ou ultra-wide.

Lentes assim são interessantes para capturar cenas mais abertas, como panoramas de ambientes amplos, e ajudam a explicar por que as câmeras de selfies dos celulares sempre usam lentes grande angulares: só assim para pegar toda a galera na hora da selfie.

No entanto, há limitações. Um exemplo típico é tentar fotografar algo que está longe: como essas lentes não são ideais para zoom, será necessário apelar para o zoom digital, técnica propensa a uma série de problemas de qualidade de imagem.

Outra característica de lentes angulares é a distorção. Se o ângulo do campo de visão for maior – em 180º, também conhecida como olho de peixe –, a foto final terá mudanças significativas.

Lente teleobjetiva

Também conhecidas como telephoto, as lentes teleobjetivas visam chegar mais perto de algo que está distante do usuário. Como nesse caso a aproximação é feita por meio da relação de distância e curvatura da lente, o zoom ótico entrega resultados muito melhores do que o zoom digital visto em alguns modelos.

Esse tipo de lente é ideal não apenas para fotografar algo distante, mas também para ampliar objetos. Como a teleobjetiva proxima o que quer que você esteja tentando captar, ela gera imagens que mostram os elementos numa relação de tamanho muito maior do que seus olhos perceberiam sozinhos.

São essas lentes que permitem que os fotógrafos esportivos registrem todos os detalhes de cada lance de um jogo de futebol, mesmo estando do outro lado do campo. Claro que eles usam equipamento profissional, com teleobjetivas poderosas.

A lente teleobjetiva permite fechar o quadro em algo específico, sacrificando o campo de visão para chegar nesse resultado. Não é uma boa ideia usá-la se você deseja fotografar uma paisagem ou a vista da varanda.

Voltando ao exemplo dos fotógrafos no campo de futebol: se usassem lentes angulares, eles não poderiam fotografar em detalhes a bola, o drible e a falta mas sim o campo todo, a torcida a arquibancada e assim por diante.

Lente com profundidade de campo

Numa explicação simples, profundidade de campo é uma relação de distância que, em fotografia, determina a distância entre os planos de uma fotografia. É a aplicação desse conceito que possibilita composições com um efeito que usa diferentes percepções de foco em objetos distantes e próximos da lente. O efeito permite fotografar algo em primeiro plano – perto da lente – com foco, deixando o que quer que esteja no fundo – segundo plano – desfocado.

Você já pode ter ouvido falar de algo assim por outros nomes, como efeito bokeh ou modo retrato no seu celular.

Em câmeras fotográficas, essa capacidade de desfocar o fundo para ressaltar algo em primeiro plano é possível por meio da abertura variável das lentes. Em celulares, com lentes tão pequenas, essa possibilidade é muito mais restrita (mesmo o Galaxy S9, com suas lentes variáveis, tem apenas dois valores possíveis de abertura).

Nos celulares, a capacidade de gerar fotos com diferentes relações de profundidade de campo é possível a partir de técnicas de processamento de imagem, que combinam o quadro gerado pela lente angular, que dá o quadro aberto da foto, com a percepção de distância e profundidade da cena, possível por meio da lente teleobjetiva.

Combinando lente grande angular com teleobjetiva

Entendendo o que é a profundidade de campo, fica fácil entender por que celulares com múltiplas câmeras têm apostado em diferentes combinações de lentes angulares e objetivas. É a combinação entre múltiplas lentes que permite ao smartphone criar fotografias com diferentes níveis de desfoque.

Outra vantagem dessa associação de lentes diferentes está no uso da lente teleobjetiva para gerar imagens com efeito de zoom com muito mais qualidade do que seria possível com o zoom digital.

Google Pixel 3 e iPhone XR

Lançamentos recentes, o Google Pixel 3 e o iPhone XR não possuem câmera dupla. No entanto, permitem o famoso modo retrato, usando profundidade de campo para desfocar o segundo plano das fotos.

Nesse caso, entram em cena tecnologias de processamento de imagem extremamente sofisticadas criadas por Google e Apple. Aqui, em vez de usar a percepção de fundo da lente teleobjetiva e a foto aberta da lente angular para gerar a imagem em modo retrato, o sistema sozinho aplica filtros que desfocam o plano desejado na intensidade que o usuário escolher para gerar a foto.

E as outras lentes?

No geral, smartphones com várias lentes usam combinações dos dois tipos de lentes que mencionamos anteriormente: mesmo telefones com três ou quatro lentes misturam algumas angulares e grande angulares com outras teleobjetivas. As diferentes gradações de cada lente contribuem para a geração de fotos cada vez mais caprichadas.

Há exceções e casos especiais. Uma delas é bem notória: o Huawei P20 Pro, equipado com um trio de câmeras que está entre as melhores do mundo, usa duas lentes angulares e uma teleobjetiva. Uma dessas lentes angulares está ligada a um sensor monocromático, com a intenção de gerar fotos em preto e branco. As imagens são usadas para compor uma foto final com níveis de contraste mais ricos – já que a diferença de tons fica ressaltada no preto e branco.

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