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Por Isabela Cabral, para o TechTudo


Certas tecnologias chegam para alterar de modo significante o dia a dia das pessoas, tipo as ciências do universo de Black Mirror, série de ficção da Netflix. Assim, o TechTudo preparou uma lista com seis invenções já em desenvolvimento que podem ser as próximas a mudarem nossas vidas.

Há, por exemplo, diversas iniciativas com o intuito de ler a mente humana. Existem novas soluções de armazenamento de dados e de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Confira abaixo essas e outras novidades que podem transformar o futuro dentro de alguns anos.

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1. Fones de tradução simultânea

Tecnologias de tradução simultânea são recorrentes em obras de ficção científica, como O Guia do Mochileiro das Galáxias com seu Peixe Babel. Na vida real, o mais próximo que temos são os Pixel Buds, fones lançados pelo Google no ano passado que prometem quebrar barreiras linguísticas de forma muito mais prática. O dispositivo funciona junto com um smartphone e o app do Google Tradutor para produzir uma tradução quase em tempo real.

Uma pessoa usa os fones e a outra segura o celular. A primeira fala em seu idioma, em voz alta, e o aplicativo traduz e reproduz o que foi dito no alto-falante do aparelho, na língua selecionada. A segunda, por sua vez, responde e tem sua fala traduzida no ouvido do usuário dos fones.

O app de tradução do Google para Android e iPhone (iOS) já tem um recurso para conversas, mas o barulho de fundo pode dificultar a compreensão das falas e de quando elas começam e terminam. Com os Pixel Buds, esse problema é reduzido, pois cada pessoa na interação tem um microfone e um botão para controlá-lo. Além disso, os interlocutores não precisam ficar repassando o telefone de um lado para o outro e podem fazer mais contato visual.

2. Ondas cerebrais como senhas

Senhas com letras, números e símbolos são difíceis de lembrar e relativamente fáceis de hackear. Tanto é que soluções biométricas de segurança, como impressões digitais, reconhecimento facial e escaneamento de retina são cada vez mais comuns no dia a dia. Essas credenciais, porém, têm uma vulnerabilidade: não podem ser resetadas, já que cada pessoa só tem um rosto, duas retinas e dez impressões digitais. Com isso em mente, pesquisados nos Estados Unidos estão apostando nas ondas cerebrais para permitir o acesso seguro de smartphones, computadores e outros dispositivos.

Quando alguém recebe estímulos externos, como ver uma foto ou ouvir uma música, seu cérebro responde de uma maneira única, que pode ser medida com sensores elétricos ligados à cabeça. É um processo automático e inconsciente. Assim, uma “senha cerebral” seria a leitura da atividade cerebral de um indivíduo enquanto olha para uma série de imagens. Cada um produz ondas cerebrais distintas diante de um mesmo estímulo, que se repete toda vez que ele acontece.

Para criar sua senha, uma pessoa seria autenticada de alguma outra forma, colocaria um tipo de capacete especial com sensores e seria exposta a uma sequência de imagens. O padrão cerebral seria gravado e, depois, para fazer login em algum lugar, ela seria submetida de novo às imagens usando o equipamento de leitura. A grande vantagem é que este é um recurso de identificação inesgotável. Se houver um vazamento de dados, basta trocar o estímulo.

3. Armazenamento de dados em DNA

A explosão na produção de informação digital pode, nos próximos anos, levar o mundo a um esgotamento do espaço de armazenamento disponível. A nuvem nada mais é do que espaço em outros computadores – ela não é infinita. Alguns cientistas acreditam que a resposta pode estar no DNA, capaz de guardar uma grande quantidade de dados em volumes pequenos. Em junho, a startup americana Catalog anunciou avanços no desenvolvimento dessa tecnologia e prometeu torná-la economicamente viável.

Com US$ 9 milhões em financiamento e apoio das universidades de Stanford e Harvard, nos EUA, a companhia está codificando dados em moléculas de DNA de um modo rápido, barato e escalável. O maior benefício do armazenamento de informações em DNA é sua impressionante capacidade: é possível salvar um milhão de vezes mais dados em DNA do que em um volume igual de uma tradicional memória em flash. A durabilidade também é um ponto positivo, pois o DNA tem vida mais longa do que os meios convencionais.

No entanto, o tempo de acesso dos dados ainda é um obstáculo. Leva algumas horas, então não é algo instantâneo. A princípio, portanto, a Catalog tem como alvo o mercado de arquivamento a longo prazo. Casos em que as informações devem ser salvas com alta segurança, mas não precisam ser acessadas com frequência ou velocidade.

4. Rede conecta cérebros

A comunicação entre cérebros já é uma realidade, graças a ferramentas desenvolvidas por físicos e neurocientistas nos últimos anos. Por exemplo, eletroencefalogramas (EEGs, na sigla em inglês) registram a atividade elétrica cerebral, enquanto a estimulação magnética transcraniana (TMS) pode transmitir informações para o cérebro. Pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, usaram esses equipamentos para criar uma rede chamada BrainNet, que conecta as mentes de um pequeno grupo para jogar uma espécie de Tetris colaborativo.

Juntos, o EEG e o TMS tornam possível o envio e o recebimento de sinais diretamente através dos cérebros. De acordo com os cientistas, a rede criada pode ser ampliada facilmente e é limitada apenas pela disponibilidade dessas máquinas. Eles afirmam que os resultados da pesquisa levantam a possibilidade de futuras interfaces cérebro-a-cérebro que permitiriam a solução cooperativa de problemas por humanos por meio de uma "rede social" de cérebros conectados, inclusive em escala global, pela Internet.

5. Reconstrução de imagens por leitura cerebral

Parece que a leitura de mentes é um desejo bastante presente no desenvolvimento tecnológico, pois esta é mais uma tentativa de colocá-la em prática. Avanços recentes no campo da inteligência artificial demonstram a capacidade de computadores para decodificar pensamentos, reconstruir memória e até vídeos enquanto são assistidos. Um time de cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, criou um método chamado “reconstrução profunda de imagens”.

A técnica utiliza um algoritmo de reconstrução capaz de decodificar a hierarquia de informações visuais complexas a partir da atividade cerebral de uma pessoa. O algoritmo ainda otimiza os pixels da imagem decodificada, em associação a uma rede neural profunda de múltiplas camadas que simula o processo que ocorre quando um cérebro humano observa uma imagem. No vídeo abaixo, é possível ver alguns exemplos.

É claro que as reconstruções não são perfeitas – essa tecnologia ainda está em estágios iniciais. Mas a invenção indica enormes possibilidades para o futuro. Algum dia, por exemplo, os buscadores podem encontrar uma foto em particular online apenas com a lembrança do usuário. Além disso, pacientes com distúrbios de fala poderiam se comunicar com os outros de maneira mais fácil.

6. Embriões artificiais

Embriologistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, cultivaram embriões realistas de ratos usando apenas células-tronco, sem óvulo ou esperma. A descoberta, que surpreendeu os pesquisadores, redefine como a vida pode ser criada. Cuidadosamente posicionadas em uma armação tridimensional, as células começaram a se comunicar e se organizar na forma de um embrião de camundongo com vários dias de vida.

Estes embriões sintéticos provavelmente não poderiam desenvolverem-se e virarem ratos, mas dão uma pista de que uma vida pode vir a ser criada sem qualquer zigoto. O objetivo mesmo, entretanto, é estudar como as células de um embrião inicial adquirem suas funções especializadas. O próximo passo é fazer a experiência com células-tronco humanas, mas isso impõe questões éticas. Embriões humanos sintéticos seriam um belo avanço para os cientistas, permitindo estudos detalhados do início do desenvolvimento da vida.

Via FastCompany, Catalog, MIT Technology Review (1 e 2) e The New Stack

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