Por Camila Iglesias, da redação

08/03/2019 15h28 Atualizado 2019-03-08T18:28:03.539Z


O preconceito de gênero dentro dos esports ganhou destaque na comunidade após um recente caso de machismo contra o time da Vaevictis eSports, formado só por mulheres, no League of Legends (LoL). Mesmo depois da Riot Games Russia advertir os agressores do caso, a proteção de jogadoras que participam de eventos de jogos eletrônicos competitivos segue como uma dúvida. Fóruns de games famosos, como LoL e Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), também contam com milhares de relatos de meninas que sofrem preconceitos de gênero em partidas.

O TechTudo entrou em contato com o time feminino de CS:GO da Team oNe para entender os desafios que as mulheres enfrentam no cenário. A Riot Games, Blizzard, Ubisoft e ESL também explicaram em notas oficiais como lidam com esse comportamento e quais punições preveem para players com atitudes machistas.

A Team oNe conta com um time exclusivamente feminino de CS:GO que quebra o paradigma de um mundo de homens nos esports. Apesar de estarem hoje em nível profissional, a equipe alega que a trajetória foi difícil. "O medo começou quando percebi que esse mundo dos esports era predominantemente masculino e ainda havia muito preconceito estampado nesse meio. Eu sabia que seria difícil, e que teria que dar o dobro de mim para ultrapassar algumas barreiras. E senti muito isso ao longo dos anos em que me dediquei para chegar ao cenário profissional, sofri com alguns preconceitos ali e aqui, simplesmente por ser mulher", conta Diana "Mittens" Caudeic Trevisan, trader do time.

Julia "Julih" Gomes Ferreira, suporte da Team oNe, relembra que ao jogar uma partida rankeada no Dia Internacional da Mulher em 2018, foi insultada por um dos seus companheiros, sendo agredida com palavras ofensivas e machistas. A jogadora tentou reportar o incidente para a Valve de diversas formas, mas, segundo ela, o jogador nunca foi punido pelo ato.

Entenda as regras das ligas e desenvolvedoras

A Riot disse ao TechTudo que tem um regulamento específico para cada liga de LoL do mundo. As regras do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) proíbem ofensas e discursos de ódio, assédio sexual, discriminação e difamação. “Membros das equipes não podem ofender a dignidade ou integridade de um país, pessoa ou um grupo de pessoas por meio de palavras ou atos de desprezo ou ações de raça, cor de pele, etnia, nação, origem social, gênero, língua, religião, opinião política ou qualquer outra opinião, status financeiro, idade ou qualquer outro status de orientação sexual”, diz o documento oficial do torneio.

Se algum jogador quebrar o regulamento do campeonato ou do Código dos Invocadores em sua conta pessoal, o player pode ser punido. As penalidades vão desde advertência verbal, até desclassificação de eventos futuros ou banimento do cenário competitivo de League of Legends.

Já a Blizzard, desenvolvedora do Overwatch, controla o comportamento dos jogadores através do Código de Conduta e do contrato de licença do usuário. A empresa encoraja players a denunciarem atitudes que possam estar infringindo as regras, porém, não há nenhuma menção específica ao preconceito de gênero no regulamento da desenvolvedora.

A Blizzard fala apenas que proíbe atitudes de assédio, perturbação, discursos de ódio e comportamentos desrespeitosos. “Discurso de ódio e termos discriminatórios são inapropriados, bem como linguajar obsceno ou agressivo. Ameaçar ou assediar outro jogador nunca é aceitável, independente do

... linguajar usado. Violar essas regras resulta em restrições à conta. Violações repetidas e mais sérias resultarão em restrições mais severas”, diz o Código de Conduta.

No cenário de Rainbow Six: Siege, a Ubisoft diz em nota que não há restrição de gênero dentro do cenário competitivo do jogo e que o Brasileirão e a Pro League aceitam times mistos e femininos como participantes. A desenvolvedora alega que para combater a discriminação de gênero dentro de R6, passou a banir jogadores com discursos de ódio, por meio de feedbacks da própria comunidade. Além disso, a Ubisoft Brasil criou o Circuito Feminino de Rainbow Six em 2018, projeto com intenção de dar mais espaço e visibilidade para as mulheres.

Em nota oficial, a Bad Boy Leeroy (BBL) e ESL, que organizam campeonatos de jogos como CS:GO, Free Fire Battlegrounds e PlayerUnknown's Battlegrounds (PUBG), consideram inadmissível a prática de qualquer tipo de ofensa ou discriminação dentro ou fora do jogo. Cada game possui seu próprio regulamento e, se o ato ofensivo for provado, o jogador será punido.

No caso dos torneios de CS:GO, as regras proíbem assédio sexual e insultos. Já em Free Fire, os códigos de conduta falam especificamente que comportamento machista e preconceito de gênero são passíveis de punição. As regras da La League de PUBG não explicitam uma proteção à mulheres, punindo jogadores que insultarem os adversários ou ameaçarem violência física.

Da regra para a realidade

Apesar de todas as regras previstas, as meninas da Team oNe dizem que não se sentem protegidas pelos regulamentos e punições estabelecidos. "Essas regras ainda não são tão eficientes, muitas vezes há a denúncia, mas por questões de 'não terem sido feitas diretamente para a jogadora' ou 'foram fora do jogo (em stream)', acaba não havendo consequências, o que desestimula muito as jogadoras que já sofrem de forma recorrente", dizem as "Golden Girls".

O elenco conta que, na maioria das vezes, players que praticam atitudes machistas saem ilesos, criando uma visão de que a discriminação de gênero não é tão grave. Mesmo com as dificuldades, a equipe da Team oNe é otimista ao falar do futuro das mulheres nos esports. "Que um dia possamos não ter que nos esconder atrás de nicks neutros, sermos inseguras quanto a nossa posição nesse meio, ou ter medo de fazer o que amamos, para conseguirmos finalmente chegar ao topo e competirmos igualmente com os homens", finalizam.



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