Na coluna anterior mencionamos que, segundo pesquisa efetuada pelo conceituadíssimo Grupo Gartner, líder mundial em pesquisas sobre tecnologia da informação, quase 85% dos televisores de tela plana fabricadas em 2016 serão “inteligentes”.

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Mas esta “inteligência”, uma forma transversa de dizer que tal ou qual dispositivo é dotado de certa capacidade computacional e pode se conectar à internet, não se restringe apenas aos televisores. Mesmo hoje, raramente se encontra um telefone celular que não seja “esperto” (uma variante do “inteligente”). E seus irmãos maiores, os tabletes, necessariamente também o são.

Acontece que esta tendência deve se difundir. Em breve haverá no mercado um número surpreendente grande dos chamados dispositivos domésticos conectados (ou “inteligentes”), que irão desde controles de temperatura ambiente doméstica até gerenciadores de estoque de geladeiras e coisas que tais. Sua presença caracterizará uma “residência conectada” e quase todos manterão uma interessante relação com os televisores.

Ainda na coluna acima mencionamos mais uma pesquisa, também do Grupo Gartner, que discute, entre outras coisas, a transmissão de vídeo ao vivo pelos usuários. Esta pesquisa, que pode ser examinada em detalhes no Relatório Gartner (www.google.com/url?q=http://www.gartner.com/) pertinente, discute o que se espera do desenvolvimento da tecnologia das TVs Inteligentes nos próximos anos.

E chega a conclusões interessantes.

Por exemplo: de acordo com o relatório, em 2017 o domínio do mercado de TVs pelos televisores inteligentes, ou seja, pelos aparelhos conectados à Internet, será tão grande que ocorrerá com eles algo parecido com o que ocorreu com os telefones celulares, que durante muitos anos serviram apenas para sustentar comunicações por voz e hoje esta função foi de longe superada pelos novos e amplos recursos neles incluídos. Se duvida, passe a reparar no número de vezes que você usa o seu telefone esperto, anote a finalidade para a qual ele foi usado em cada uma e verifique em quantas delas você recorreu a ele para cumprir a singela função elementar de um telefone: falar com alguém. Nos televisores esta tendência se manifestará fazendo deles o centro de controle dos demais dispositivos domésticos conectados acima citados. E, certamente, o uso das TVs inteligentes para cumprir esta função superará de longe seu uso como mero aparelho de entretenimento.

Isto porque, ainda segundo a pesquisa, em 2018 espera-se que 76% dos aplicativos de uma “residência conectada” sejam acessados e comandados via TVs inteligentes, que estão rapidamente deixando de serem produtos de luxo e se deslocando para o mercado de consumo de massa. Hoje, o grande televisor de tela plana e alta definição ocupa o lugar de honra na sala de visitas de 25% dos lares americanos e 32% dos alemães. Mas em 2018 esta porcentagem deverá crescer para cerca de 87% do mercado mundial, o que tornará as TVs inteligentes dispositivos comuns na maioria dos domicílios do planeta.

GPC20141219_1Figura 1 (Reprodução/ Wikipedia)

Sobre o assunto, Fernando Elizaide, principal analista de pesquisas do Gartner, afirma: “A despeito da lentidão do ciclo de troca de aparelhos de TV, a penetração das TVs Inteligentes está crescendo rapidamente. Elas já são o ponto central de entretenimento de lares conectados. Estes dispositivos podem funcionar como pontos de acesso para o controle e gerenciamento de outros dispositivos domésticos conectados. Programas de controle e monitoramento de câmaras de vigilância, fechaduras de segurança, termostatos e outros dispositivos domésticos conectados são apenas alguns exemplos dos diversos aplicativos para domicílios conectados que podem ser controlados através da TV Inteligente”.

Ou seja, as TVs Inteligentes substituirão dispositivos como o mostrado na Figura 1 (obtida na Wikipedia) que controla a iluminação, temperatura, segurança, fechaduras e entretenimento em uma casa conectada.

Mas esta evolução não será livre de tropeços. Um deles será a falta de padronização. Pois n

... o momento a maior dificuldade enfrentada pelos fabricantes de dispositivos conectados e pelos desenvolvedores de seus aplicativos de controle é a fragmentação das plataformas de TVs Inteligentes, e este estado de coisas ainda deverá perdurar por algum tempo. A exceção, naturalmente, são os aplicativos ligados à mídia e ao entretenimento.

Estas dificuldades, porém, deverão ser superadas e a tendência é que, aparadas as arestas, os aplicativos de controle dos dispositivos domésticos conectados poderão ser instalados nos Televisores inteligentes da mesma forma como o são hoje nos telefones espertos e tabletes. E com isto as TVs Inteligentes cumprirão o importante papel de dispositivo central, o centro de controle da residência conectada. O que se tornará cada vez mais óbvio à medida que aumentar a oferta de dispositivos domésticos conectados, tornando-os mais comuns nas residências. Quando isto ocorrer, o fato de poder gerenciá-los de mais de um dispositivo (o chamado “controle em múltiplas telas”) deixará de ser apenas um atrativo adicional e se tornará praticamente obrigatório. Então, as TVs Inteligentes rodarem os aplicativos de controle de dispositivos domésticos conectados será tão comum como é hoje o fato disto ocorrer em tabletes e telefones inteligentes.

Mas nem tudo são flores. Ainda segundo o relatório Gartner, um dos fatores que podem atrasar a adoção plena dos serviços domésticos conectados será seu preço. Porém, provedores desses serviços que cobram uma taxa mensal poderão competir com os que fornecem serviços medidos, o que aumentará a concorrência e tenderá a reduzir os preços. Isto fará com que, diz o relatório Gartner, o preço dos serviços domésticos conectados venha a cair pela metade daqui a quatro anos.

Não é só este custo que tende a baixar. Na medida que crescer o número das “residências inteligentes”, ou “conectadas”, os custos de instalação e dos serviços especializados também deverão se reduzir. Mesmo porque, no mercado americano, já há cadeias de lojas de eletrônica e dispositivos para entretenimento montando departamentos especializados no atendimento e orientação de clientes que desejam eles mesmos instalar e configurar suas plataformas conectadas. O que tenderá a levar os provedores de serviços conectados a oferecer experiências similares a seus usuários.

Sobre isso Jessica Ekholm, diretora de pesquisas do Gartner, afirma: “O mercado de lares conectados mostra os costumeiros sinais de um mercado nascente: baixa penetração, grande interesse demonstrado apenas por entusiastas de tecnologia e preços elevados. Para que seja adotado em massa pelo mercado é preciso que os preços caiam, mas apenas isto não será suficiente. O baixo interesse demonstrado por diversos setores do público também indica que as pessoas comuns ainda não veem as vantagens dos serviços conectados. Adotar uma estratégia que venha a oferecer orientação e assistência de pessoal especializado diretamente nas lojas pode ser a solução para este problema”.

Tudo isto é uma consequência do fato de que a tecnologia que envolve experiências visuais, como o vídeo, vem evoluindo rapidamente e se tornando um meio cada vez mais importante de interagir com os clientes. Sobre isto, declara Brian Blau, diretor de pesquisas do Gartner: “A próxima geração de serviços e produtos para consumidores terá um ponto central em comum e este ponto será o vídeo. Isto significa que o vídeo ao vivo ou outras tecnologias em tempo real serão incorporados a diversos produtos, o que permitirá que seus usuários possam transmitir eventos ao vivo e possibilitará comunicações mais personalizadas, provendo melhor atendimento ao usuário e oferecendo o que há de melhor no que toca a experiência televisiva nas residências conectadas”.

A tendência, portanto, será a substituição da transmissão das imagens estáticas por dinâmicas. Ainda segundo o relatório Gartner, durante o ano de 2014 mais de um trilhão de fotos foram feitas, transmitidas e compartilhadas diariamente (confesso que este foi o ponto do relatório que mais me chamou a atenção: um trilhão de fotos transmitidas diariamente correspondem a mais de 11,5 milhões de fotos transmitidas a cada segundo). E que esta tendência não dá mostras de diminuir. Pois o desenvolvimento e disseminação da tecnologia de transmissão de vídeo em tempo real provavelmente fará com que grande parte destas imagens compartilhadas venham a ser substituídas por vídeo.

Ora, as vantagens da transmissão de vídeo ao vivo quando comparado ao envio de imagens estáticas vão muito além do simples fato de ser um meio de expressão mais rico. Ela pode ser usada, por exemplo, para monitoramento remoto (de bebês, por exemplo, ou de prédios comerciais fora do período de expediente normal). Ou para que médicos possam atender pacientes localizados em lugares remotos. Ou ainda para trabalho colaborativo, com os participantes se comunicando em tempo real. Ou suporte técnico a usuários. Na medida que a tecnologia do vídeo ao vivo se popularizar, juntamente com a popularização das conexões de alta taxa de transmissão (banda larga), ela se mostrará de grande utilidade em um enorme número de contextos.

Inclusive na substituição dos “selfies” por, como direi, “selfies” animados.

O problema é que esta mania de “selfies” tem gerado coisas de um gosto tão duvidoso que eu definitivamente não sei se a substituição será vantajosa.

É esperar para ver.

B. Piropo



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